31.10.07

A Fábula: Cidade dos Desgraçados - 2001

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A Volta para casa pode ser um inferno





“Esperamos pela luz mas contemplamos a escuridão.”
Isaías 59:9



Neste livro Hugo Maximo demonstra seu domínio sobre o romance de suspense, com fortes componentes visuais, o que nos faz refletir sobre as possibilidades de apresentação cinematográfica, que o transformaria num filme de terror.

A obra transpõe os limites da realidade e nos conduz totalmente a uma dimensão surreal onde se trava uma batalha entre o bem e o mal, entre a fragilidade humana e o poder das trevas.

A trama muito bem urdida mantém o sobressalto até o último capitulo e a leitura como que nos faz reféns ao lado dos personagens, solidarizando‑nos com eles e sentindo os horrores que enfrentam.

Classificando‑o como fábula, o autor nos incita a decodificação de um conteúdo polissêmico, portanto altamente metaforizado. A Cidade dos Desgraçados contém ingredientes insólitos e nos coloca frente a frente com nossos limites.

A trama traz à tona a questão do da acomodação e do servilismo diante do poder maior e do medo ao mesmo tempo em que demonstra a capacidade humana de superação do ceticismo e do medo. E é esta superação a única forma de salvação.

O suspense em que a trama mantém o leitor é digno dos mestres deste estilo.


Yedda de Castro Brascher Goulart
Escritora Mestre em Letras – UFSC


* Esta crítica saiu na época em que o livro foi publicado pela Editora Hemisfério Sul, no Jornal Balainho, Florianópolis, 2001.

Trecho do livro:

— A cidade não é mais a mesma — expelia a fumaça tragada enquanto falava, parava para tragar novamente e depois voltava a falar. — As trevas aumentam a cada dia. Já não sei em que ano estamos, tentei ir embora e por isso me bateram. Ninguém sai, e quem entra não vive muito tempo... nem sei dizer como conseguiu entrar na cidade... talvez eles quisessem você aqui.

— Eles quem? — perguntou Daniel, mas o velho não lhe deu ouvidos e continuou tragando e falando, olhando para o vazio como se assistisse a algum filme.

— Você não sente? Não vê que estamos no verão, mas no entanto faz frio? As trevas são frias... hipnotizam!

As pessoas de fora que vem para a cidade não percebem nada, agem como se não vissem o céu cada vez mais escuro... o sol cada vez mais fraco, e as pessoas daqui também. Só algumas percebem, mas não conseguem sair... são as trevas... as trevas roubam o calor da luz e o transformam em frio, como se o diabo tivesse aprendido a usar o poder de Deus contra ele mesmo.

Silêncio.

— De quem você está falando? Quem são eles?


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2 comentários:

alexandre disse...

Olá!
Li a "Cidade dos Desgraçados" e achei muito bom. Personagens carismáticos, ação e suspense bem dosados que nos prendem. A reviravolta final foi ótima. Parabéns!

Alex Nery
Belém-Pa
aneryhq@yahoo.com

H. M. disse...

Que bom que gostou, Alex, obrigado pelo retorno! Obrigado mesmo. mantenha contato!

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