01 novembro 2007

Produção Intelectual e o Futuro

O que está acontecendo? Músicos estão liberando suas gravações gratuitamente na internet, o mesmo vem acontecendo com escritores, desenhistas, enfim, o que estas pessoas estão fazendo?

É evidente que uma mudança gigantesca sobre como lidamos com a produção intelectual está acontecendo, porquê? Como? Quem?

Vamos fazer uma brincadeira de somar, ok, então ta:

Some o lema do movimento Punk: “faça você mesmo”

Eram garotos pobres que queriam ser roqueiros, mas não tinham dinheiro para aulas de música, muito menos para equipamentos adequados. Isso os impediu? Entendeu essa parte?

Certo, então. Agora some a isto o movimento, ou melhor, o processo das tecnologias que disponibilizam esses produtos intelectuais.

Um exemplo, antes de Gutemberg, os livros eram escritos à mão. A imprensa não só facilitou o processo, como inseriu novas maneiras de se produzir, distribuir e comercializar. É claro que teve gente contra, afinal eles [ sempre ELES ], estão sempre de plantão. O que quero dizer é que olhando do presente, como alguém poderia dizer: “ei, espertinho, pode parar com essa história!”? Como alguém em sã consciência pretende negar essa evolução?

Outro exemplo. Antes das rádios e dos sistemas de gravação, se você quisesse ouvir música no sábado à noite, teria que conhecer algum músico amigo que tocasse de graça, ou ainda teria de contratar um músico para tocar pra você. Assim, as empresas que imprimiam partituras e as lojas e fabricas de instrumentos musicais, além do músico, é claro, eram os únicos que lucravam financeiramente com isso. Quando o rádio surgiu, é claro que as empresas de reprodução de partituras gritaram: “ei, espertinhos, podem parar com essa história!”. Alguém deu ouvidos as empresas que reproduziam partituras? Acho que não.

E quando surgiram os sistemas de gravação alguns disseram que isso seria o fim das rádios. Alguns representantes da industria radiofônica certamente devem ter dito: “ei, espertinhos, podem parar com essa história!”. Isso realmente aconteceu, pesquisem no Google sobre a Sony e o desenvolvimento das fitas cassetes. “O quê? Gravar em casa? Estamos arruinados”, disseram algumas gravadoras.


Está estendendo até aqui? Então voltando a soma nós temos:

Faça você mesmo + o processo de evolução de como lidamos com a produção intelectual.

Certo, mas o que fazemos com isso?

Agora vejamos. Você não paga para assistir na TV um canal aberto. Tirando os impostos e a eletricidade você não paga nada. São os anunciantes que pagam para que a TV produzir conteúdo para que você tenha o seu entretenimento. O mesmo acontece com as rádios. Por que o mesmo não acontece com os livros, com os CDs ou com as histórias em quadrinhos? Isso soa ingênuo? Pois bem, eu sei que sim. Mas ingênuo ou não, já está acontecendo e talvez, eu disse talvez, essa possa ser uma das alternativas para o futuro. As industrias precisam que seus produtos cheguem ao consumidor. O veículo poder ser um, como também pode ser outro.

Antes de continuar gostaria de dizer que sou contra as leis de incentivo a cultura. Não acho que o dinheiro dos contribuintes deve ser gasto para inflar ego de escritores, músicos ou atores. E ei, vejam só, aposto que essa alternativa não soa ingênua. Sei disso, mas não me parece certo.

Voltando, então, a falar sobre alternativas, o que temo em nossa soma?

Faça você mesmo + o processo de evolução de como lidamos com a produção intelectual + alternativas de viabilizar a produção e a distribuição deste mesmo material.

Viabilizar significa tornar possível, sustentar a produção de material intelectual e posteriormente sua distribuição.

E é aí que entra a internet e a redescoberta do comum.

A internet está tornando possível a comunhão [ esqueça o termo comunismo, simplesmente porque não é saudável dar falsas esperanças a sociopatas políticos ], as pessoas estão trocando coisas, e isso se chama P2P. não prertendo dar uma aula sobre termos em geral, tem muita gente fazendo isso. Mas isso é relativamente novo e mal começou a ser explorado. A internet está eliminando intermediários, [ ah a eterna luta entre o “artista” e o empresário, o músico e a gravadora, o escritor e a editora e quem ]fica com a maior fatia do bolo]. Pois bem, o músico não precisa mais da gravadora, nem o escritor, da editora. Isso não significa que ele [ sempre ELES ] devem ser linchados ou abandonados, mas significa que a conversa agora, pode ser em pé de igualdade.

Faça você mesmo + o processo de evolução de como lidamos com a produção intelectual + alternativas de viabilizar a produção e a distribuição deste mesmo material é igual... ainda não sabemos, mas estou louco para descobrir.

E afinal, sobre a troca de arquivos na internet, as gravadoras principalmente, já estão berrando: “ei, espertinhos, podem parar com essa história!”. Pois e agora, desta vez, ao contraio de todas as anteriores, será que a história vai ser diferente?



Por favor, descomente!

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