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16 Dezembro 2009

TRASH Vol. I Zumbis & Tentáculos [trecho do livro]



Esquizofrenia Blues



Ele saiu do quarto de hotel com a porcaria do macarrão instantâneo pesando em seu estômago, como se tivesse comido as palhas de uma vassoura molhada. Seu nome era Seth e ele achava que estava ficando louco. Só para conferir Seth pôs a mão no bolso direito do blazer pela décima vez, e pela porra da décima vez constatou que a porra da 44 estava lá, exatamente onde a havia deixado. Carregada, pelo que se lembrava. Então, no milionésimo surto paranóico do dia e, só para constar, ele retirou a porra da 44 do bolso do blazer... e girou o tambor para fora. Seis balas. Seis balas benzidas por um padre. Só para conferir. Só para constar.

É por isso, também, que depois de guardar a arma (ele sabia que em dez minutos iria repetir todo o processo paranóico de novo, e de novo...), verificou o bolso esquerdo do blazer só para conferir se as balas estavam no lugar onde as havia deixado. Elas estavam. Como sempre. Mesmo assim ele sabia que iria continuar conferindo até a ponta dos dedos estarem esfoladas.

No bolso interno do blazer ele encontrou o vidrinho de remédio. Arrancou a tampa com a boca e a cuspiu fora.

Sem nem contar engoliu as cápsulas restantes e imediatamente sentiu o macarrão instantâneo convulsionar em seu estômago. Merda! Seth vai ter uma puta duma azia.

Ele deixou o hotel barato para trás e nos fundos encontrou o Cadillac Deville, exatamente onde o havia deixado. Os pneus estavam carecas e a pintura parecia uma fusão em aquarela de poeira, lama e limo, mas o tanque estava cheio e é isso que importava. Ele entrou e segurou o volante gorduroso entre os dedos que, como sempre, tremiam como o diabo. Ficou olhando a porra do crucifixo pendurado no retrovisor, balançando de um lado para o outro. E se lembrou que não acreditava em mais porra nenhuma. E não acreditava em porra nenhuma pelo simples fato de que não precisava acreditar em porra nenhuma. Ele não acreditava porque ele sabia.

Existe uma puta diferença entre acreditar e saber. E ele sabia. Viu com os seus próprios olhos. Viu as coisas que corriam soltas na noite, devorando os que ainda acreditavam no amor. Naquela época — quando saiu da cidade — quase morto, quando deixou Val-Paso.

Por isso ele não acreditava mais. Mesmo enquanto o crucifixo continuava balançando diante dos seus olhos, como se estivesse discordando. Ele sabia, ele viu e isso bastava. Bastava pelo menos para o que tinha que fazer. É engraçado, sabe? Ele não acreditava em nada disso depois que ouviu falar da merda da guerra no céu e de como os demônios passaram para o nosso plano, bem debaixo das barbas de Deus. Irônico, não é mesmo? Era mais ou menos isso, mas Seth não tinha certeza. Os caçadores não sabiam ao certo, eles apenas reagiam. Seth nunca ouvira nada sobre o Homem Cinza.

Assim, Seth arrancou e começo a cortar a linha negra de asfalto pensando que embora tenha visto alguns, nunca matou um demônio. Não de verdade. Tudo que conseguiu fazer foi acabar com alguns hospedeiros.

Pelo retrovisor viu o hotel ficando para trás, junto com, talvez, sua última noite de sono. Sempre poderia ser a última.

Então acendeu um cigarro sabendo que poderia ser o último que ia fumar. Sempre poderia ser o último, mas isso não é sempre assim? Todas as vezes que saímos de casa, bem, pode ser a última. Acreditem em mim, já vi acontecer e Seth também. Isso fez o macarrão instantâneo rolar dentro do seu estômago. Merda! E lá foi ele verificar a arma novamente.

Seth parou o carro do outro lado da rua e ficou brincando com o isqueiro de metal escovado. Ele viu a porra da mansão despontando por de trás dos muros altos. Do bolso interno do blazer ele retirou um pequeno pedaço de papel com um nome escrito. No papel estava escrito apenas um nome. Um nome num papel. É assim que funciona.

Ele rastreava um hospedeiro, alguém que fora possuído, contaminado, melhor dizendo. E tentava matar o filho da puta antes que as terminações nervosas das coisas que cresciam dentro dele estivessem estabelecidas com o cérebro.

O feto demônio, dentro, comandando o cérebro, fazia o hospedeiro transar com meio mundo, contaminando mais e mais pessoas. Mas não é assim que as coisas sempre aconteciam?

O que Seth tentava fazer era chegar ao fulano antes do demônio dentro dele nascer efetivamente, literalmente rasgando e devorando o cara de dentro para fora. Acredite, não é uma coisa bonita de se ver. E antes de mandar o cara para o além, Seth obrigava o desgraçado a escrever o nome das pessoas que havia contaminado. Assim Seth seguia os nomes e matava os outros hospedeiros e assim sucessivamente até o fim dos dias, dos seus dias, pelo menos. Isso pode parecer loucura. Mas é exatamente assim que Seth levava sua vida, quer acredite ou não, exatamente como um personagem de literatura barata reagindo a eventos, sem um plano de longo prazo previamente estabelecido. Existem pessoas com rotinas tão mirabolantes que fariam sua cabeça girar e Seth é uma delas. Seth seguia pelo mundo matando coisas estranhas e tudo baseado em um nome em um pedaço de papel.

Essa era a jogada, entendeu? As regras do jogo eram bem simples. Anjos e demônios podiam jogar com a humanidade, como peças num tabuleiro de xadrez, mas só influenciar, sacou? Mas algo havia mudado as regras do jogo. Seth nunca ouvira falar do Sr. Gray, muito menos da sua interferência nestas regras sagradas. Mas...

Tanto anjos, quanto demônios, não podiam interferir diretamente. Pelo menos era o que costumava acontecer. Mas o que aconteceu? Eles foderam tudo! Simples, os demônios descobriram (e não me pergunte como), que poderiam nascer para o nosso mundo, e o parto não era nada bonito. Nada mesmo.

De arma em punho Seth saltou o muro. Haveria seguranças. Ele sabia disso. Só não sabia se queria matá-los. Talvez ainda fossem humanos. E mesmo sendo homens, isso não faria nenhuma diferença. Ainda assim poderiam estar contaminados. Homens ou mulheres, não importava. Demônios não tinham restrições quanto ao sexo dos hospedeiros, a coisa crescia dentro da pessoa, independente de um útero.

De repente, percebeu que não estava sozinho. Ouviu algo bufando na noite. Algo que vinha correndo e que não estava sozinho. Então vindo apenas como olhos brilhantes no escuro, Seth descobriu que seus problemas eram bem piores.

Três cães saltaram do escuro, quase ao mesmo tempo. Ele disparou sem pensar. Cada disparo seguido de um uivo agudo e doído. O primeiro dobermann rolou no ar, contorcendo-se como um bailarino. O segundo ele acertou antes de saltar. Sua cabeça explodiu deixando apenas um pescoço fumegante no lugar. O terceiro o atingiu em cheio. O disparo brilhou perdido para o alto.

A 44 voou para longe enquanto Seth se atracava com o desgraçado.







Número de páginas: 181
Peso: 221 gramas
Edição: 1 (2009)
Acabamento da capa: Papel supremo 250g/m², 4x0, laminação fosca.
Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos fresados e colados, A5 Preto e Branco.
Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.

http://lh3.ggpht.com/_2mNDyl5LbJ0/TFXh8-KuMxI/AAAAAAAABh4/ZugeoED_YwY/pagamento.jpg

Inaction Figure: Kevin Smith!

http://blogdebrinquedo.com.br/


Kev-Smith-Inaction-Figure


A Graphitti Designs segue sua tradição de figuras sem nenhum tipo de articulação ou movimento com uma “Inaction Figure” do diretor e roteirista Kevin Smith.


[ ver mais ]

15 Dezembro 2009

Living Dead, ou por que diabos amamos tanto zumbis?

http://www.sedentario.org/wp-content/uploads/2009/12/zumbis-1024x819.jpg

O Raphael Draccon / Cavernas & Dragões escreveu um post sobres zumbis muito interessante que vala a pena ser lido!!!


14 Dezembro 2009

Posters TRASH Vol. I - Personagens Principais















Número de páginas: 181
Peso: 221 gramas
Edição: 1 (2009)
Acabamento da capa: Papel supremo 250g/m², 4x0, laminação fosca.
Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos fresados e colados, A5 Preto e Branco.
Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.

Meu nome é Hugo e eu compartilho arquivos

DRM - dois pesos e duas medidas


Por lógica, quando você paga por alguma coisa essa coisa passa a ser sua e você pode fazer com ela o que quiser, basicamente. Desde que respeite os direitos do autor. Por exemplo: eu comprei um livro, o livro é meu e eu posso ler, queimar, rasgar, dobrar as orelhas, fazer anotações e principalmente compartilhá-lo. Sim, emprestar um livro a um amigo é compartilhar arquivos. Um estudo diz que um livro comprado geralmente pode ser lido por cinco, até dez pessoas. Isso é compartilhar arquivos.

O que eu não posso fazer com o livro é desrespeitar os direitos do autor, ou seja, não posso sair por aí dizendo que foi eu quem o escrevi. Mas vejam só, depois que eu li o livro e todos os amigos a quem emprestei o livro o leram, eu posso vendê-lo à uma loja de livros usados. E isso não é considerado crime.

E em muitas dessas lojas de usados, se vende e se compra CD de músicas, filmes, jogos e até mesmo programas de computador. E isso não é considerado crime.

Mas se você compartilha arquivos pela Internet, mesmo os arquivos que você pagou, isso sim é crime.

Aqui morre toda a lógica da DRM ( Digital Rights Management ). São dois pesos e duas medidas, sempre lembrando que a Lei de Direitos Autorais não é uma lei moral e sim uma lei de regulamentação prática, sempre "emendada" à favor de interesses econômicos, por vezes, distantes da lógica dos demais direitos e da moral.

Quando você pega um livro emprestado em um biblioteca, você está compartilhando arquivos. Quando você chama seus amigos até a sua casa para assistirem um DVD que você comprou legalmente ou alugou em alguma locadora de filmes, vejam só, você está compartilhando arquivos! Você não vai ser preso por isso, pode ter certeza.

A DRM é o oposto a difusão de conhecimentos. Por conseqüência, é oposta ao conceito básico da internet e dos computadores.

Como diz Cory Doctorow, o computador nada mais é do que uma máquina que manipula bits e a internet nada mais é do que uma "máquina" que transporta bits de forma rápida e barata e ponto final.

Um sistema que vai contra essas premissas básicas, não pode ser lógico, não pode ser aceito e com certeza, não deve perdurar.

A Arte de Annie Wu

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[ Blog ]

11 Dezembro 2009

Usuário de e-book nos EUA é "viciado" em tecnologia, aponta pesquisa

"Uma pesquisa traçou o perfil do usuário de e-book nos EUA. Os dados da MRI (Mediamark Research & Intelligence) confirmam as suspeitas. Quem adquire um livro eletrônico tem curso superior ou pós-gradução, possui alto poder aquisitivo e tem o hábito de adquirir as principais novidades da tecnologia. "

[ leia na íntegra ]

10 Dezembro 2009

Eu sou um zumbi apaixonado

http://www.jesusmechicoteia.com.br/


Eu sou um zumbi apaixonado

Por Isaac Marion [ tradução Jesus me Chicoteia ]



"Eu sou um zumbi, e isso nem é tão ruim. Estou aprendendo a conviver com o fato. Desculpe se não me apresento direito, mas é que eu não tenho mais nome. Duvido que algum de nós tenha. Nós os esquecemos, assim como aniversários e senhas do banco. Eu acho que o meu começava com “T”, mas não tenho certeza. É engraçado, porque quando eu estava vivo, estava sempre esquecendo o nome das outras pessoas. Estou descobrindo que a vida de zumbi é farta de ironias, uma piada onipresente. Mas é difícil rir quando seus lábios já apodreceram."


[ leia a história na íntegra ]

{ em inglês no site do autor }



09 Dezembro 2009

Blondie: Homenagem a Debbie Harry


Colagem, arte-final, tratamento digital

http://www.kopimi.com/kopimi/copyme1_wh_bg.gif

08 Dezembro 2009

69 posters da Era de Aquário

07 Dezembro 2009

Video magazine reconta a história dos pulps

04 Dezembro 2009

As férias estão logo aí!!!! ;)


Número de páginas: 181
Peso: 221 gramas
Edição: 1 (2009)
Acabamento da capa: Papel supremo 250g/m², 4x0, laminação fosca.
Acabamento do miolo: Papel offset 75g/m², 1x1, cadernos fresados e colados, A5 Preto e Branco.
Formato: Médio (140x210mm), brochura com orelhas.

03 Dezembro 2009

Personagens infantis com histórias de vida complexas

do Boing Boing


False Friends é uma série de figuras de vinil criadas pela equipe artística da Coarse Toy.



coarse_falsefriends_standing


coarse_falsefriends_noopface




coarse_falsefriends_noop-paw2-1


FF_Box_5







Noop_half_naked




[ mais ]


SERIADO EM 140 CARACTERES

do Pix

"Já pensou se o Twitter fosse um seriado, com direito a personagens, historinhas e tudo o mais? A PIX, que adora seriados e tava a fim de uma fanfarronice, transformou algumas pessoas, tuitadas e hashtags em seriados. Veja o resultado:"


#apagao
gênero: Reality show
sinopse: Misteriosamente a luz acaba e a energia cessa nas cidades de um país latino-americano, deixando a população em pânico. Suspeita-se de uma invasão alienígena. O final, só assistindo pra saber.
s01e01: “Apagão, EU FUI!”


@bomdiaporque
gênero: Humor negro
sinopse: Adolescente rabugento, em vez de estudar, passa o dia espalhando verdades sobre o mundo e as coisas.
s01e01: “Todo magro é potencialmente um gordo em início de carreira.”


[ veja os outros ]


02 Dezembro 2009

Como funciona o design de embalagens

do http://hp.gizmodo.com.br





"Quando você está no supermercado, loja de conveniência, farmácia ou whatever onde esteja comprando alguma coisa, elas estão lá, lindas, brilhantes e chamativas pedindo para serem levadas com você. São as embalagens que, antes de irem parar nas suas mãozinhas ávidas por "descascá-las", passaram por um processo árduo de concepção e design. Que tal aprender um pouco mais sobre elas e conferir o que rola de mais legal nas prateleiras desse mundão? Pula pra cá!"

"O Design de Embalagens ..."


[ na íntegra ]



[ na íntegra ]



01 Dezembro 2009

A Arte de Emma Vieceli


[ mais ]

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